Entre o gesto do desenho e a intimidade do quarto: duas coletivas da Galeria Marília Razuk investigam corpo, memória e subjetividade.
A Galeria Marília Razuk apresenta simultaneamente, em seus dois espaços expositivos no Itaim Bibi, em São Paulo, duas mostras coletivas que propõem percursos distintos — e complementares — sobre a experiência contemporânea do corpo, da subjetividade e da construção simbólica do espaço. Em cartaz até 6 de junho, a exposição “corpo assentado, cabeça voando”, na sede principal da galeria, e a coletiva “Quarto”, no Anexo Galeria Marília Razuk, articulam diferentes gerações de artistas em torno de questões ligadas ao desenho, à intimidade e às formas de inscrição sensível no mundo.
Na mostra “corpo assentado, cabeça voando”, com curadoria de Camila Bechelany e Leo Felipe, o desenho deixa de ocupar o lugar tradicional de estudo preparatório para assumir-se como linguagem autônoma, expandida e experimental. Reunindo obras do acervo da galeria, a coletiva investiga o desenho como gesto, pensamento e presença física, aproximando-o de uma prática corporal e quase coreográfica.
O percurso expositivo parte da ideia de que desenhar é uma forma de situar o corpo no espaço e, simultaneamente, permitir-se perder nele. Entre traços, escritas, inscrições e desvios, a mostra coloca em diálogo artistas de diferentes temporalidades e procedimentos, revelando o desenho como território de invenção contínua. Participam da exposição nomes como José Leonilson, Amilcar de Castro, Jaider Esbell, Paulo Nazareth, além de Ana Dias Batista, André Dahmer, Johanna Calle, Marilá Dardot, Renata Haar e Thiago Barbalho, entre outros.

Já no Anexo Galeria Marília Razuk, “Quarto”, com curadoria de Cristina Tolovi e Luana Fortes, desloca o olhar para o universo doméstico e afetivo, tomando o quarto como espaço de formação subjetiva, desejo, recolhimento e imaginação. Dando continuidade à investigação iniciada em “Sala de Jantar”, realizada no mesmo espaço em 2025, a coletiva aproxima questões ligadas ao inconsciente, ao erotismo e às relações entre corpo e ambiente.
A exposição propõe uma travessia por atmosferas íntimas e oníricas, onde o espaço privado torna-se campo de projeção simbólica. As obras reunidas abordam solidão, companhia amorosa, memória, sonho e sexualidade, articulando diferentes linguagens e materialidades contemporâneas. Entre os artistas participantes estão Regina Vater, Lyz Parayzo, Seba Calfuqueo, Rodrigo Bueno e Mónica Heller, além de Ana Sant’Anna, Bruno Faria, Débora Bolzsoni, Juliana Sedó e Thiago Honório.

As duas exposições revelam um interesse comum em compreender como os sujeitos produzem marcas — físicas, emocionais ou imaginárias — sobre o mundo e sobre si mesmos. Se “corpo assentado, cabeça voando” investiga o desenho como expansão do gesto e da experiência corporal, “Quarto” desloca essa investigação para o território do afeto e da interioridade. Em ambos os casos, a Galeria Marília Razuk constrói um diálogo entre práticas contemporâneas que recusam categorias rígidas e propõem modos mais sensíveis de habitar imagens, espaços e memórias.

“corpo assentado, cabeça voando” permanece em cartaz até 6 de junho de 2026, na Galeria Marília Razuk, na Rua Jerônimo da Veiga, 131. Já “Quarto” segue em exibição no Anexo Galeria Marília Razuk, número 62 da mesma rua, até 8 de agosto de 2026. Ambas as exposições têm entrada gratuita.

Serviços: “corpo assentado, cabeça voando” e “Quarto” na Galeria Marilia Razuk, Rua Jerônimo da Veiga, 131, Itaim Bibi, São Paulo. Anexo Galeria Marilia Razuk, Rua Jerônimo da Veiga, 62, Itaim Bibi, São Paulo. Horário: Segunda a sexta, das 10h às 19h | Sábado, das 11h às 15h. Entrada gratuita.